Juliana Licio
Eis que o vento resolveu soprar para o outro lado, algumas portas se fecham, as janelas orquestram um barulho infernal e as roupas caem do varal. Vem a chuva, mais uma vez. Logo, ela passa. Nada parece ficar muito tempo por aqui. Inclusive, eu, também penso em ir embora. A mudança não dará trabalho, uma vez que dentro das gavetas existe uma dúzia de roupas. Só agora reparei que tenho muito mais livros do que roupas e eles são pesados. Em relação aos laços, aqueles que estão ao ponto de se romperem, não deixarei que se arrebentem sem conserto para nunca mais. Farei um reparo, pois é preciso guardar tudo que vivi, essas lembranças me pertencem e aprendi com elas, independente de ter sido bom ou não. Além disso, não quero apagar nenhum passado, não quero deletar ninguém. Simplesmente aconteceu, estou pronta e quero seguir sozinha.
1 Response
  1. Anônimo Says:

    Já te disse isso uma vez e repito: você não nasceu para criar laços e fincar raízes. Esse mundo, Juliana, vasto e novo te pertence. Você é feliz assim como é, seja durante meses em plena floresta amazônica, seja ouvindo a sua música preferida dentro do metrô ou em OP jogando infinitas partidas de buraco. Você é pássaro, não gosta de gaiolas.

    Gde beijo e saudades dos seus assuntos engraçados e inéditos. Quero ver as fotos da Amazônia.

    m. helena